27.10.06

LerAlto

LerAlto de Novembro
Começa uma nova era do LerAlto.
Agora as sessões são temáticas.
Desta vez o tema é a Influência.
Apareçam
6ª feira dia 03 de Novembro às 22h nos Artistas em Faro.
Não deixem, também, de passar pelo blog do Sulscrito

22.10.06

Literatura a Sul

Literatura a Sul animada na web, aqui.

6.10.06

LERALTO
Especial 6ª feira 13 - Horror
6ª feira 13 de Outubro


O LerAlto está de volta!
Com um Especial 6ª feira 13.
O Azar, a superstição, o horror e o terror são os temas para esta sessão.
Não deixem de participar com textos com outras temáticas.

Se escrevem venham ler,
se não, venham ouvir e conversar

O LerAlto sem vocês não acontece!

6ª feira 13 de Outubro
às 22 horas nos Artistas

O LerAlto também serve como espaço de discussão de ideias, divulgação de eventos ligados à literatura e promoção de publicações.


ideias, comentários e informações para: leralto@mail.pt
participem no blog LerAlto: www.leralto.blogspot.com

26.7.06

LerAlto na Feira do Livro de Faro

O LerAlto vai estar na Feira do Livro de Faro
dias 4 e 13 de Agosto às 21h30
no pavilhão Sulscrito em frente ao Coreto.
O Sulscrito -Círculo Literário do Algarve
tem o prazer de vos convidar a participar e a fazer uma visita à Feira do Livro de Faro.
Apareçam, temos livros interessantes e actividades criativas.

28.5.06

LerAlto em Junho

Apareçam
Temos sido poucos, mas bons...

12.5.06

Estão todos convidados...




... a divulgar e a participar!

(para ler melhor abra a ligação na imagem)

11.5.06

Prometeu Agrilhoado

Na próxima sexta-feira dia 19-05-06

o recente grupo de teatro te-Atrito

apresenta a peça Prometeu Agrilhoado,

o espectáculo tem início ás 23h

na A.R.C de Músicos ( junto à estação)

em Faro

27.4.06

um poema

olhos
líquidos vítreos

olhos que ardem
de dentro

olhos
que te chamam luzidos
nomes secretos
que sentes quentes

no fundo da caverna
ainda a humidade tépida
da dança frenética

o peito
pingado ainda
de sangue

olhos
janelas distantes
entreabertas

agora sais
ou entras

por Pedro Afonso

LerAlto Maio


Aí está o LerAlto de novo!
6ª feira 5 de Maio às 22 horas nos Artistas em Faro.
Apareçam!
Venham ler, ouvir ler, conversar e, quem sabe, fazer algo mais.
Se quiserem publicar textos neste blog enviem-nos para leralto@mail.pt, dependendo da disponibilidade serão aqui afixados.

1.4.06

destechãopisado (excerto)

Passo pela rua da tua casa habitada. Desejo, encontrar o rumor que vagueio na minha cabeça, da realidade mais dura, que tu descesses contra mim. Simultâneo ao discurso de palavras vagas, trocaríamos um cumprimento cordial. “Queres foder?”, é o que digo da memória crepitante entre a fachada estalada das casas. Atinge-me o volátil urbano da tua densidade: incomodas-me. Não deixo de te esquecer. Sou, de facto, qualquer coisa de permeável dentro da chuva, que engrossa esta lama, que me escorrega entre a luz mítica dos carros, por passagens oportunas. Não vejo o meu lugar neste chão indiferente. Saber congela-me. Não posso evitar o movimento taciturno dos dias. Não posso evitar estar por aqui. Não posso evitar cair neste quadro cinzento feito de mera paisagem repleta de personagens intratáveis. Não posso evitar adaptar-me á natureza madrasta da cidade, gerindo a minha passagem. Reconheço da fatalidade, os meus actos são de sobrevivência. Este chão dirige-me. Vivo entre o lixo que escorre das varandas, entre o ruído desviado do sangue que escorre pelas ruas. Nunca haverá mais do que isto. E tu nem sequer exististe. Tudo é como um grão de areia carregado no meu bolso.

30.3.06

Texto de Miguel Godinho

O Miguel Godinho, um amigo meu autor do blog (f)utilidades, enviou-nos este seu texto. Ele tem tentado participar nos LerAlto passados, mas não tem podido; assim fica aqui esta sua participação, com a promessa de continuar a tentar aparecer nos LerAltos "físicos".
Fica também o meu convite a que visitem o blog dele, vale a pena, que está "linkado" aqui ao blog do LerAlto np nome de Miguel Godinho.
Obrigado Miguel, até breve.

Esquecer-te

Protejo esta indecisão permanente
Este amor irresoluto.
Empato um afecto dúbio,
Hesitante, apesar de decidido.

É como uma afeição que se divide entre o mar e a terra
Entre o sol e a lua.
Quadros de luz e penumbra
Fazem regressar esta memória
Esta incerteza que me estanca o juízo.

Esquecer-te, ainda que por agora.

Miguel Godinho

www.f-utilidades.blogspot.com
mailto:www.godin_miguel@yahoo.com

27.3.06

texto lido no último LerAlto

Este texto, da autoria da Paula Ferro, foi lido no último LerAlto.
Foi enviado para o nosso email e agora aqui publicado. A formatação do texto não está conforme o original, mas estou a fazer o post a partir de um computador público que não é grande coisa... peço as minhas desculpas aos leitores e, claro, à autora.

Pedro Afonso

Quando o sol abriu o primeiro olhar sobre o mundo já eu te amava numa candura de deleites infantis.
Há em mim um lado intocado…um lado que se mantém guardado… um mistério que não se quer revelar…
Há em mim um encantamento transportado num lamento que tem vindo a percorrer o tempo magoado de tanto te esperar.
Amo-te pousada nas brumas da outra margem das coisas e construo coroas de sorrisos floridos de um romance por inventar enquanto molho os pés nus nas águas cristalinas de uma fonte que está ainda por desatar. E brinco, distraída com os movimentos que a água faz ao sabor do meu caminhar porque o teu rosto se transforma e ganha forma guardado nesse líquido brando que contém em simultâneo o nascer do sol e o luar…
Quem és tu cavaleiro de amplos gestos? Porque trazes tanta espada loura escondida nas dunas do teu olhar? Onde plantaste a raiz da tua candura?
Eu quero ir à tua procura.
Deixa-me perder-me no odor das tuas primaveras já desventradas… deixa-me encontrar nos despojos delas a semente escondida daquela flor mesclada que ainda está por despontar.
Amo-te como quem ferve e se derrete bem no centro do coração e visto-me de pássaros de muitas cores para me abeirar das nuvens onde escavas os teus sonhos com sachos de caramelo. Porque escondes os teus mistérios pendurando-os lá nos céus cheios de luz onde só transformada em asa branca consigo chegar? Porque guardas tanto pranto nas conchas das mãos com que me desfolhas cheio de ternos gestos… mas receoso de te revelar?

Dois mistérios que se entrecruzam com o sabor amargo e doce de quem quer viver e tem medo de se perder…

Lembras-te daquela manhã em que o sol voou brilhando e acendeu o dia diante do nosso olhar?
Depois o sol pousou-se nos montes e começou a correr para nós, de braços abertos. Veio dizer-nos que gosta de nos ver brincar.
Nessa noite eu havia-me entretido bebendo mel da tua glande e passeando pelos planaltos do teu corpo com o andar distraído de quem se detém em todos os pormenores porque se encanta com todos eles.
Os teus lábios vistos de cima, aquietados num sorriso terno enchem-me o coração e a alma.
O teu olhar cheira a linho e o teu corpo goteja o despontar de uma paixão.
Gosto de descansar nas tuas reentrâncias e de lançar os lábios em aventuras de criança desprevenida nos montes fofos do teu peito peludo cortado por um ribeiro manso onde habitam peixinhos vermelhos, verdes e amarelos que gostam de me contar contos de encantar.
Os teus ombros são serenas planícies onde o meu rosto se estende para sentir melhor os teus malabarismos preciosos em meu corpo. As pontas dos teus dedos, rebentos de beijos encadeados, abrem-me caminhos cheios de sensações que estavam por descobrir e os corpos misturam-se em dança branda que alvoraça os corações.
Beijo-te como quem voa e ultrapassa o limite do horizonte dos possíveis e amo-te nas espumas breves que se soltam do chilrear dos pássaros matinais.
Beijas-me como quem embala uma criança há muito guardada dentro do peito e que agora quer brincar.
Beijamo-nos com encantamento e deleite, entretidos, embevecidos, distraídos do mundo e entregues ao que nos está a acontecer com a naturalidade de quem faz aquilo que sempre fez porque nasceu para o fazer.


de Paula Ferro

para ler no próximo Ler Alto

A menina dança?

Acompanha-me nestas palavras
Estende a mão delicada
Olhar sereno e penetrante
Pantufas?
Não… não é um bom calçado para esta dança de risos
Mas se outro calçado não houver
Então que venham pantufas, robes ou botijas aquecidas!?
Porque é quente
Os corpos
O toque
O som, que embala esta graça
Segue-me eu conduzo sem receio
Viagem una de apaixonados

O gato?
Está lá fora e celebra a dança

Dedos irrequietos brincam ás vezes
Pele nenúfar em lagos agitados
Marcas de tempestade no porto de abrigo
Amarração doente que já deu trigo

Tempo de sol e lua flor luminosa que ri
Ocaso vagaroso aurora perpétua
Sublime lembrança
Parti

25.3.06

pensamento oculto

A verdade é que nem tudo o que pensamos é para ser dito. São pensamentos estruturais, existem como base do que importa realmente dizer. Este tipo de ocultação do pensamento não deve ser confundido com um modo de insinceridade em face dos outros, uma vez que estes pensamentos não estão organizados para exercer o poder da linguagem verbal. Tudo o que não dizemos permanece em acto de pensar. Seria excessivamente incómodo se todos os pensamentos que temos sobre alguma coisa ou alguém resultasse em mensagem. O pensamento é agressor quando exposto na sua forma primária, sem preparação ou ordem de entendimento. Pensar implica uma espécie de reciclagem do pensamento. O que nunca chega a ser dito aos outros é aproveitado para figurar noutros pensamentos. Nada é perdido se acreditarmos que o pensamento é um desconhecido que um dia se dará a conhecer.

seguindo o exemplo do pedro afonso

Lembro-me tão bem

Lembro-me tão bem:
lembro-me da forma
como me tocaste o rosto
com as pontas dos dedos
e me beijaste numa carícia
de pétalas vermelhas.

Lembro-me tão bem:
lembro-me de acordar
e sentir-te ainda, desejar-te
ainda, e fechar os olhos
e tentar adormecer e
não, não, não conseguir.

Lembro-me tão bem:
lembro-me da forma
como te sonhei.

[poema escrito a partir de uma fotografia]